tá lá,de lá prá cá, sem pará.
andá, pará, rodá e voltá a andá
sem escutá, sem clareá
sem captá,
pra que tanto Á
sábado, 10 de dezembro de 2011
(in)certeza
será?
tem certeza?
não seria só mais uma efemeridade passageira?
e os planos?
e aqueles outros planos?
novos ou velhos, no fim, todos são planos.
e as concretizações?
e aquelas outras concretizações?
novas ou velhas, todas irão se desmanchar um dia
tem certeza?
não seria só mais uma efemeridade passageira?
e os planos?
e aqueles outros planos?
novos ou velhos, no fim, todos são planos.
e as concretizações?
e aquelas outras concretizações?
novas ou velhas, todas irão se desmanchar um dia
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Tecnologia não gera Gentileza
Primeiro, subiu ela.
Falou naquele tom meio emboladamente apressado de quem quer se mostrar prestativo. Aquele em que as palavras sobem umas nas outras a fim de ver o final do túnel da boca.
"Paga duas aqui"
Era o meio da noite de uma fria quinta feira naquela região universitária da cidade.
O ônibus para andar três ou quatro pontos, como descobriria logo depois, era quase um taxi particular.....um agrado. Acho q por isso aquele tom "pagga dusas aaquqi"
Assim q terminou a frase, ela, a outra, se apressou no monótono tom de quem já esperava a gentileza
"não deix......"
foi interrompida por aquele tom, o primeiro, que, denovo, embolava as palavras no ar
"sem problemas, eu pago"
Era tudo o que ela queria: uma confirmação de que ela, a outra, tomou conhecimento da gentileza.
Mas enquanto virava para dar aquela olhada de quem faz uma gentileza no meio da noite de uma fria quinta feira naquela região universitária da cidade, viu o que não queria ver:
O cartão azul-cinza de transporte bailando no ar.
Era ela, a outra, mostrando que não precisava MESMO pagar. Ela tinha uma maneira muito melhor de fazer isso.
Teve que aceitar e pagar só uma.
Era mais uma vez ela, a tecnologia, a atrapalhar ela, a gentileza.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
saudade
às vezes ela vem,
me encontra quando menos espero, em situações que deveria esquece-la
nao toca a campainha nem nada, enfia mesmo o pé na porta e entra
imediatamente os olhos se umedecem e um sorriso se forma
deveria esquece-la mas adoro encontra-la, nao adianta....
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
frente fria
hoje, o incansável vento leste deu lugar ao seu alter-ego mais explosivo
inconstante, o sudoeste fez levantar as saias das meninas e arrancou folhas das arvores
soube se impor:
aos pensativos, exigiu o olhar
aos apressados, o tempo de andar devagar
cantou alto e forte
os cabelos alisados se enrolaram de medo
e os casacos até saíram dos armários para entender o que se passava
mas poucos perceberam que ele, o sudoeste, não fazia isso por si
estava a anunciar a chegada da chuva, sua grande companheira
sábado, 30 de julho de 2011
uma prensa de quatro milhoes e meio um trabalhador de quinhentos reais
Notas (quase) aleatórias de uma aula sobre gestão empresarial:
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Cotidiano
O lento despertar com todas as sonecas que se tem direito
O sono que persiste
O banho frio
O sono que se vai
Todos os pães com todas as vitamina de abacate de todos os cafés da manha
O ônibus sonolento (para aqueles que não tomaram banho)
A barca e seu rebanho diário que olha para baixo
A baía plácida refletindo o céu
Os pescadores em seus barcos-mosca a esperar, pacientemente
A barca como cama
Ela, que cruza com outra barca sem nem ao menos olhá-la nos olhos
A mesma que chega e esvazia-se, apresadamente
Todos os prédios forçando-nos a olhar pra cima e além
Todos os pedestres que olham para os pés e para dentro de seus aparelhos de mp3
Cada vendedor ambulante:
O amendoim com açúcar 3 por 1 real
O salgado + refresco que já foi 1 real
O cara que conserta saltos ao final da rua de paralelepípedos
A drogaria São Paulo (no centro do RIO)
Os bolivianos, todos esses bolivianos
Os mendigos ainda sonolentos, afinal, não tomaram banho
Todos os ternos sociais sem rosto
Todos os salto-altos com menos rosto ainda
Cada entrada de edifício marcando o fim da luz do sol
A espera pelo elevador
A espera dentro do elevador
A espera dentro do escritório:
Pela hora do almoço,
Pela hora de ir e ver tudo denovo
quinta-feira, 14 de julho de 2011
fico porque preciso, mas espero porque te amo
vai, querida
vai e vê tudo o que tiver ao alcance da tua imaginação
tuas narinas à respirar novidades distintas
e toda a beleza que cabe nos olhos
vai, querida
vai e aprende com cada metro da estrada
reparas no que de mais belo tem os que estão à tua volta
e, mais ainda, repara no que de mais belo tens em ti
vai, querida
vai e me carregas atrás das pálpebras aonde fores
lembra de mim com um sorriso no rosto
e depois volta pra me contar tuas histórias
terça-feira, 12 de julho de 2011
os cabelos já foram plantados
e o foram sem qualquer tipo de ortogonalidade
foi assim: à medida que caíam, ficavam
então, acho que deveria falar que os fios se plantaram, uma vez que foi a vontade deles, dos fios, que produziu a semeadura.
eles, tal qual pequenas sementes, podem nao ser notados quando caem mas, à medida que crescem, parecem adquirir vida e importância.
E por isso, por essa característica tão marcante, só pude ver muitos dos cabelos-sementes depois de virarem cabelos-mudas ou até cabelos-árvores.
E os encaro todos os dias, eles tão por ai: pelas esquinas que andamos com meu braço enrolado à parte baixa das suas costas, tão nos álbuns dos Novos Baianos, na lapa, no centro, em santa, mas, principalmente, tão por trás das minhas pálpebras....lá no pacífico.
Não sei, desconfio que tenha algo a ver com o clima do pacífico, mas o fato é que os cabelos se deram muito bem por lá e, lá, produziram uma verdadeira floresta. Dessas densas....Floresta Equatorial Úmida Capilar: é assim que a chamam no pacífico
sexta-feira, 8 de julho de 2011
vem
Vem, meu bem,
vem, e vamos
vem, te prepara, mas nao muito, e vem
os discos, os livros e teu vestido de algodão branco, vem com eles
vem, também, com o tempo
trás ele debaixo do braço, e vem
com todos esses caracóis que te enchem a cabeça, vem
e vamos
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